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Alimentos Orgânicos são mais Saudáveis?

2 de abril de 2014

Não. Nossa, chocante isso. Eu venho enrolando para fazer esse post há algum tempo, mas resolvi que agora é a hora. Sei que vou receber uma gama de leitores fanáticos irritados – ossos do ofício. Por isso, vou deixar algo claro desde o início: não estou escrevendo esse post para fazer propaganda anti-orgânicos e nem para desencorajar o seu consumo. Apenas quero desmitificar alguns boatos que circulam na internet e nas filas dos supermercados.

 


 

Antes de mais nada, vou tentar explicar o que são alimentos orgânicos. É um conceito difícil de se definir, já que é mais encarado como uma ideologia do que realmente um conjunto de técnicas e, apesar dos órgãos certificadores, não existe um consenso e nem mesmo uma padronização sobre o tema. De maneira bem geral, trata-se de alimentos que são cultivados [animais: criados], colhidos [animais: abatidos], processados, transformados, transportados e estocados sem a utilização de insumos quimicamente sintetizados (ou, pelo menos, com o mínimo necessário desses) e abolindo organismos geneticamente modificados. Para a agricultura, isso se reflete no não-uso de defensivos agrícolas (= agrotóxicos, fertilizantes, adubos, pesticidas, fungicidas, etc), hormônios e anabolizantes originários da indústria química. Do ponto de vista da indústria de alimentos, estamos falando da ausência de ingredientes, aditivos e coadjuvantes artificiais (exemplo: corantes, conservantes, aromatizantes, etc). Apesar de conhecer melhor o segundo ponto, irei focar esse post mais no primeiro – mas pretendo explorar melhor o caso da indústria alimentícia numa publicação futura. Também não irei entrar aqui no mérito dos transgênicos, pois já tratei a questão anteriormente.

Pessoalmente, não acho o termo “orgânico” correto pois, do ponto de vista da química, praticamente todos os alimentos são orgânicos (exceto a água e o sal). Inclusive, os próprios agrotóxicos e aditivos alimentares são compostos orgânicos em sua maioria. Talvez por isso alguns autores preferem os termos “agricultura biológica” ou “agricultura natural”, por conta da eventual substituição de parte dos defensivos por técnicas como rotação de culturas, adubação verde, compostagem e controle biológico de pragas. Isso leva à associação dos orgânicos com a sustentabilidade ambiental (e, às vezes, a social) – porém é interessante lembrar que isso não é exatamente uma identidade: existem alimentos orgânicos que não são sustentáveis, e vice-versa. Confesso que os estudos sobre impacto ambiental são confusos e nebulosos, mas deixem-me expôr um fato pouco explorado: alimentos orgânicos utilizam sim pesticidas e adubos, desde que “naturais”, ou seja, extraídos de vegetais e animais e minimamente processados. Isso não quer dizer que eles sejam, necessariamente, menos tóxicos que os sintéticos (muitas plantas e animais contém venenos altamente letais ao homem – mas isso também é assunto para outro post).

Do ponto de vista ambiental, é um fato que certos pesticidas (sintéticos ou não) podem se acumular no solo, água e ar, causando impactos significativos na natureza. Para apimentar um pouco a equação, gostaria de apontar que o principal adubo utilizado na agricultura orgânica é o esterco bovino que, apesar de “supernatural”, é um subproduto da indústria pecuária, uma das maiores geradoras de desmatamento e gases estufa. Mas existe um fator ainda mais importante do que tudo isso: a agricultura orgânica é, para a maioria dos alimentos, muito menos produtiva do que a convencional. Isso porque a falta de defensivos agrícolas faz com que haja muitas perdas no cultivo, colheita, transporte, processamento e estocagem dos alimentos, fazendo com que se tenha que gastar muito mais terra e recursos para produzir a mesma quantidade de alimento, além de gerar desperdícios e contaminação no varejo. E é por esse motivo que os alimentos orgânicos costumam ser mais caros. Isso vai de encontro à revolução verde – que rendeu o prêmio nobel a Norman Borlaug em 1970, considerado pai do movimento que pregava o aumento da produtividade agrícola através de técnicas como melhoramento genético de sementes, utilização de insumos industriais e mecanização. Essas práticas, hoje banalizadas na chamada “agricultura tradicional”, possibilitaram um aumento expressivo na produção de alimentos em países em desenvolvimentos, como o Brasil.

Nesse contexto, muitos alegam que a conversão de 100% dos cultivares em orgânicos seja um retrocesso incompatível com o atual estilo de vida urbano e capitalista, forçando um retorno ao modo de vida rural; ou seja, cada um teria que produzir seu próprio alimento (e lá se foi a variedade), ou não haveria comida suficiente. Eu já não encaro isso de uma forma tão malthusiana e dualista, e realmente acho que os dois modos de agricultura possam conviver em paz.. De qualquer forma, engana-se quem pensa que a agricultura orgânica favoreça pequenos agricultores locais: boa parte dos orgânicos são produzidos por grandes corporações, como a Horizon (50% dos laticínios no EUA) e a gigante brasileira Native; por outro lado, a maioria dos pequenos produtores brasileiros não utiliza agricultura realmente orgânica. Não que o fato de ser uma empresa grande seja um problema (existem empresas boas e ruins), mas enfim. Também nem sempre os alimentos são locais, visto que muitas vezes são importados de regiões como os EUA, Europa e até mesmo a China. Sobre questão dos direitos trabalhistas e impactos nas comunidades: violações acontecem em todos tipos de agricultura e devem ser combatidos sempre, independente de ser orgânica ou tradicional.

Já do lado do consumidor, vários estudos feitos nos EUA encontraram menor teor de pesticidas em alimentos orgânicos do que nos tradicionais – como esperado -, porém todos os alimentos analisados estavam dentro do limite de segurança tolerável. Lembrando que, segundo o Cancer Research UK, não há evidência concreta de que o consumo de pesticidas, nas quantidades presentes nos alimentos, esteja relacionado diretamente ao desenvolvimento de câncer em humanos. Quem talvez apresente maior risco de exposição sejam os trabalhadores rurais, mas isso pode ser evitado com boas práticas agrícolas, correto manejo dos compostos e utilização de equipamentos de proteção individual e coletiva. As pessoas associam os defensivos agrícolas a compostos antigos que não são mais utilizados – como DDT -, porém a indústria agroquímica evoluiu muito ao longo dos anos, e muita pesquisa  foi feita justamente para oferecer opções mais seguras a agricultores e consumidores. Outros estudos também indicam a falta de correlação explícita entre hormônios presentes na comida ingerida diariamente e problemas de saúde. Legal, isso tudo no exterior, mas e no Brasil? Admito que aqui o buraco é mais embaixo, e algumas empresas não seguem à risca as leis. Nesse caso, é importante pressionar para que a fiscalização seja feita de forma mais correta e que os alimentos se apresentem dentro dos limites toleráveis.

Eu falei sobre todos esses aspectos porque imaginei que seriam levantados pelos leitores. Agora, deixem-me explicar melhor a resposta dada à pergunta do título. Aqueles primeiros estudos citados anteriormente também compararam as quantidades de diversos nutrientes em diferentes alimentos orgânicos e não-orgânicos, e concluíram que não há diferença significativa para quase todos eles (com exceção de fósforo – o que não chega a ser alarmante, já que pouquíssimas pessoas têm deficiência do mesmo). Eles também analisaram populações com dietas orgânicas versus tradicionais, e não encontraram nenhuma indicação de benefícios ou malefícios à saúde por conta de uma dieta ou da outra. O vídeo abaixo [em inglês] ilustra isso de maneira bem clara. Antes dele, só para deixar claro: quando eu digo que “não são mais saudáveis” não significa que sejam menos saudáveis, apenas que não há diferença relevante, sobretudo do ponto de vista nutricional. Como eu já expliquei em posts anteriores, orgânicos não tem nada a ver com integral nem com light, apesar de os supermercados muitas vezes agruparem essas categorias. O que ocorre, na verdade, é que pessoas que seguem uma dieta orgânica tendem a consumir mais frutas, vegetais e grãos inteiros, e menos açúcares, sódio gorduras – e isso sim é positivo para a saúde, sendo de fonte orgânica ou não.

Por fim temos a questão do sabor. O próprio autor do vídeo acima diz que prefere o gosto dos tomates orgânicos aos convencionais (e eu, pessoalmente, também). Apesar disso, o aspecto sensorial é completamente subjetivo e vai de cada um. Em alguns testes cegos realizados, a maioria dos consumidores não conseguiu identificar a diferença entre alimentos orgânicos e tradicionais. Mesmo assim, por causa da tendência atual de “sustentabilidade” e do alto preço, os alimentos orgânicos atingiram um status de produto premium, sendo mais voltados para as classes sociais elevadas e pouco acessíveis para a população menos abastada. Muitas campanhas pregam a dieta orgânica, que faz sucesso especialmente com os públicos fitness, militantes ambientais e veganos/vegetarianos, apesar dos argumentos citados neste post. Um exemplo de desinformação é o vídeo abaixo (ah, essas menininhas e seus experimentos de ciências…) :

Na verdade, o composto citado – chlorpropham ou “bud nip” – é um defensivo agrícola de baixa toxicidade para o homem, utilizado justamente para impedir o brotamento de tubérculos e raízes, como a batata-doce (ou seja, a menina nada mais do que comprovou que o insumo realmente funciona). Isso porque quando a raiz germina, ocorre a produção de solanina, um composto natural de sabor amargo que protege a planta em crescimento de predadores e parasitas, essa sim perigosa a saúde humana. Não bastasse a alteração sensorial do alimento, a substância é tóxica e sua ingestão pode causar sintomas como alterações gastrointestinais (diarreia, cólica, vômitos) e neurológicas (dor de cabeça, tontura, alucinações), podendo até mesmo levar à morte. Então gente: quando a menina perguntar qual batata-doce você escolheria comer, você definitivamente não vai querer a brotada. Até minha vó já me alertava para não comprar nenhuma “raiz com rebentos”, e tacaria o vegetal na minha cabeça se eu aparecesse com isso na cozinha dela 🙂 .

 

Fontes [em inglês]:

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16 Comentários
  1. Me chamou atenção o “boa parte dos orgânicos ser produzida por grandes corporações” ser seguido por apenas dois exemplos, um deles estrangeiro. Também me chamou atenção que a solução para as doenças causadas pelos agrotóxicos em trabalhadores rurais seja considerada no texto como facinho de resolver. Me chamou ainda mais atenção a citação de um estudo americano pra falar de resíduos tóxicos em alimentos, sendo que desde 2003 a Anvisa divulga relatórios assustadores sobre o abuso de agrotóxicos na agricultura brasileira. O intuito deste post é mesmo informar?

    • Pedro Menchik permalink

      Olá Francine, obrigado pela sua contribuição. Sou completamente a favor de contra-argumentos e opiniões diferentes, afinal, esse é o real intuito do blog: alimentar a discussão. Contanto, é claro, que sejam ponderados, bem-embasados e e educados, como você (e a maioria dos críticos) fez. Vamos por partes:

      1) Meu intuito no post não é ficar listando empresas produtoras de orgânicos no Brasil. Citei a Native que é um exemplo fácil dos leitores identificarem, por causa de sua presença. Como eu disse, não há nenhum problema em ser grande, e essa em particular eu admiro e recomendo. E Citei a Horizon para ilustrar o fato da presença no exterior e as possibilidades de importação.

      2) Não disse que o problema de segurança do trabalhador é fácil de resolver. Entretanto, vários setores da economia apresentam trabalhos perigosos: construção civil, indústria metalúrgica, geração de energia elétrica, etc… Isso quer dizer que não devemos realizá-los? Não, mas sim que temos que fornecer condições para que o trabalho possa ser feito da forma mais segura possível. Me entristece o pensamento: “não vamos fazer isso porque não sabemos fazer direito” em vez de “vamos aprender a fazer direito”.

      3) Eu explicitei no texto que o Brasil ainda apresenta problemas nesse setor, inclusive fornecendo um link exatamente sobre um desses estudos da Anvisa. O motivo de eu usar fontes estrangeiras é que a pesquisa científica de vários tópicos relacionados a orgânicos ainda não é muito sólida aqui. Coloquei referências como Stanford e Cornell, faculdades internacionalmente reconhecidas, para sustentar alguns pontos do texto.

      4) Disse desde o começo que não sou contra os alimentos orgânicos (inclusive, consumo alguns com certa frequência). Acredito, entretanto, que a febre dos orgânicos está se transformando em uma ideologia ou quase uma religião, e chegamos a ouvir argumentos como “orgânicos são mais nutritivos”, o que é claramente falso. Isso, mais o vídeo da batata-doce que recebi esses dias no Facebook, me motivaram a fazer o post, que já vinha sido pedido há algum tempo. Eu ia focar apenas na questão nutricional, mas tinha certeza de que os leitores iriam demandar aspectos ambientais e sociais, por isso tentei me adiantar. Meu objetivo principal é mostrar alguns argumentos científicos que fazem o senso comum “cair por terra”

      • Roberto permalink

        Pedro, concordo que o censo comum exige atenção, porém há algo que não se pode contestar. Qualquer substância tóxica deve ser utilizada (principalmente em alimentos) apenas após a comprovação científica da ausência de risco, por instituições confiáveis e independentes.

        E isso não ocorre por causa do faturamento das grandes corporações apenas, que possuem um poder astronômico nas aprovações de leis favoráveis às suas atividades. Por isso a grande importância dos pequenos produtores.

        Então isso não é uma “religião”, e sim uma busca para corrigir o que foi feito de errado. E fanáticos existem para tudo, para orgânicos, para agrotóxicos, para qualquer coisa.

        Abs

  2. EXCELENTE post, um dos mais completos que vc já fez (porque citou, além da questão alimentícia, também impactos ambientais, sociais e o aspecto nutricional).
    Só tenho um pé atrás com a tal da “Revolução Verde”, pelo menos da maneira como é feita no Brasil, justamente por conta dos impactos ambientais e sociais que traz. Me parece que num mundo ideal esses impactos seriam corrigidos ou evitados por grandes latifundiários ou empresas (que é quem geralmente faz parte da Rev. Verde), mas na maioria das vezes, não é o que acontece. É claro que isso passa por problemas de ilegalidade na vida real, infelizmente…

  3. Muito interessante a abordagem. Pra ser sincera sei pouco sobre produção de orgânicos, mas algo que eu acho interessante ressaltar é a questão da segurança com relação à presença de microorganismos patogênicos, como Salmonella e a Escherichia, que estão em maiores quantidades nesse tipo de alimento, quantidade que estrapola à permitida pela legislação… encontrei um artigo científico que aborda essa questão e inclusive sobre os valores nutricionais, que nos orgânicos foram maiores. O artigo é nacional, de 2010 e publicado pela revista Ciência e Tecnologia de alimentos, se quiser posso te passar.

    • Pedro Menchik permalink

      Nossa, Ligia, me passa sim, vai agregar bastante! Obrigado!
      Nem tinha parado para pensar na questão de patógenos…O difícil de se trabalhar com alimentos é que sempre temos muitos fatores a se considerar…
      Isso sem falar em estudos contraditórios e confusos – por isso que até agora não postei nada sobre café 🙂

  4. isabela permalink

    Sensacional Menchik. Esqueci de comentar antes rs!! Mas está muito muito bom!!!
    O texto está mt bem escrito, muito claro e esclarecedor. Está ficando cada vez melhor seu blog!
    Eu posso não comentar muito, mas sempre falo do seu blos pras pessoas ou compartilho seus posts!!!!

  5. Ingrid Oliveira permalink

    Uau! Excelente texto, Pedro! Abs

  6. João permalink

    Muito bom o post =D
    Esse é um assunto muito bom porque há muitas pessoas que defendem muito o consumo de alimentos organicos, e que comer somente coisas organicas fará a pessoa mais saudavel, coisas assim.
    Mas dependendo do ponto de vista, isso nem faz muito sentido.
    Uma pessoa que consuma somente substancias organicas, poderá ter algum problema, isso porque estaria excluindo um produto quimico inorganico chamado monoxido de dihidrogenio de sua alimentação, em outras palavras, estaria deixando de consumir água!
    Isso sem contar que muitos sais minerais importantes que proporcionam calcio, potassio, fosforo, manganes, dentre outros elementos, seriam vistos como algo ruim também por serem inorganicos.

  7. Vinícius permalink

    Ótimo texto.
    Só ressalvando, a título de conhecimento para quem se interessar, a parte final: a batata-doce não é a mesma coisa que a batata.

    A batata típica é uma planta da família das Solanáceas, que realmente produzem solanina, que é um alcaloide altamente tóxico. Tanto que as folhas e frutos da batateira não são adequados ao consumo humano (já vi algumas pesquisas americanas, inclusive relatos, alegando que o fruto poderia ser consumido, como o tomate e a pimenta, mas ainda faltam estudos mais aprofundados). Acontece que só as plantas dessa família produzem a substância.

    Já a batata-doce é um tipo de Ipomeia (espécie muito comum em jardins e praças como ornamental), pertencente à família das Convolvuláceas. As folhas dessa planta são comestíveis, assim como de algumas outras espécies de ipomeias não tuberosas. É muito consumida na Ásia inclusive.

    Então não há mal nenhum em ingerir o tubérculo brotado ou com rebentos.
    Além disso, várias outras raízes podem ser brotadas sem problemas por terem partes comestíveis, como a cebola por exemplo.
    Não sei se o uso de bud nip é feito em todos os tipos de tubérculos, mas se for, acredito que nessas plantas seja mais por questões estéticas mesmo, por gosto do freguês ou por ignorância mesmo, pois não há riscos.

    No mais, parabéns pelo blog.

  8. Acho que um dos principais atrativos e diferenciadores dos orgânicos é o fato de não serem transgênicos. Sei que não é o foco deste post, mas para quem está bem informado dos malefícios destes e deseja evitá-los, o uso de orgânicos fica sendo uma das poucas formas.Sendo o glifosato recentemente listado como cancerígeno pela OMS.

    Vemos também que as agências reguladoras, no Brasil especialmente, são influenciadas pelos lobbies da indústria dos agrotóxicos, não acredito que possamos confiar nos limites impostos na regulamentação. Recomendo ler esta entrevista, esclarecedora:
    http://www.noticiasnaturais.com/2015/02/a-fragilidade-da-anvisa-e-o-uso-indiscriminado-de-agrotoxicos-no-brasil/

  9. Bianca Costa permalink

    Gostaria que ficasse clara a diferença entre nutricional e saudável. Nutricional é relacionado aos níveis de nutrientes e saudável é relacionado a capacidade de melhorar ou manter sua saúde, sem prejudicá-la de alguma forma. Me pareceu que seu post não foi somente para falar do poder nutritivo dos orgânicos, mas sim abordando de forma crítica várias vantagens que são atribuídas aos alimentos orgânicos.
    Em relação à saúde: um menor nível de agrotóxicos e substâncias químicas são encontradas em alimentos orgânicos, mesmo que estes limites estejam dentro dos padrões em alimentos convencionias, isto não significa que estas substâncias não tenham nenhum efeito sobre nosso organismo a longo prazo. O fato de não ter SIdo comprovado não exclui a possibilidade de ser uma realidade, que pode ser claramente observada nos casos de trabalhadores rurais que são intoxicados por estes produtos. Acredito que mesmo que existam métodos de segurança no trabalho, estes métodos não estão sendo eficientes ou talvez muitas vezes nem cheguem a ser disponibilizados a estes trabalhadores, devemos enxergar fatos e portanto uma agricultura em forneça menor riscos aos trabalhadores é desejável!
    Se vamos falar sobre várias vantagens e desvantagens dos alimentos orgânicos, então devemos falar sobre os efeitos da produção orgânica na saúde solo, qualidade da água e agro-biodiversidade.
    Sobre o esterco, realmente normalmente não é feito nenhum controle da origem deste esterco, mas uma propriedade que segue a filosofia orgânica provavelmente possui seus animais e realiza sua própria produção de esterco, infelizmente esta não é a realidade para grandes fazenda que se dizem “organicas” mas que na realidade só estão realizando uma produção convencional com menos produtos químicos artificiais. No Brasil existem várias comunidades que vivem da produção organica, e sim é muito mais favorável a pequenos produtores já que eles não ficam dependentes da compra de sementes e de outros insumos químicos que podem fazer muito mal a sua saúde já que a chance de pequenos produtores utilizarem equipamentes de segurança corretamente pode ser ainda menor.

    Não digo a produção natural de alimentos seja a única solução de todos os problemas ( bom talvez se a sociedade assumisse um padrão diferenciado de consumo – menor consumismo, menor valor agradado à estética dos produtos e menor consumo de industrializados – sim seria a solução), mas sem dúvida considero alimentos produzidos de forma natural e consciente (forma de produção e higiene para o consumo) são mais saudáveis.

  10. WLADMIR ALMEIDA permalink

    Eu assinei a página. Mas começo a imaginar se não troquei seis por meia dúzia. Afinal cientistas pagos por empresas já aprovaram até o uso do tabaco como inofensivo, ou não tão tóxico como outras pesquisas demonstram.
    Observei neste texto que as referências são em inglês. Ora, para um ignorante no idioma da rainha Elizabeth como eu, isso não faz diferença nenhuma. Onde estão as pesquisas feitas no Brasil? Onde estão as pesquisas das universidades brasileiras sobre o assunto?
    Pelo menos três referências apontadas me levaram a Wikipédia. Sério?!!! Fundamentar argumentos em verbetes da wiki é o mesmo que dar crédito aos boatos que o nobre articulista tenta desmitificar. Sinceramente, eu esperava mais consistência na contra argumentação. Concordo que qualquer radicalismo não é saudável. Mas o próprio autor concorda que vivemos num país onde a fiscalização é fraquíssima, ou ineficiente. O que me leva a concluir que não temos certeza de nada. Nem de que os alimentos orgânicos sejam realmente cultivados sem insumos industrializados, ou que os industrializados ou processados tenham seu período de carência observado.
    Por vias das dúvidas, faço o seguinte: evito os vegetais cuja produção exijam alto uso de pesticidas e outros químicos, adquirindo-os somente de produtores confiáveis que praticam a agricultura natural. Ex: morangos, tomates, pimentão. Outras frutas e legumes compro sem pestanejar de produtores que usam meios tradicionais. Assim, procuro equilibrar as coisas para não ficar paranoico.

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