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Diet, Light ou Zero?

17 de fevereiro de 2014

Esse vai ser um daqueles posts que não são exatamente a minha praia, mas que as pessoas me perguntam o tempo todo. É um tema um pouco confuso mesmo, então acho que vale um esclarecimento: qual a diferença entre produtos diet, light e zero?


Na verdade, diet e light são conceitos bastante diferentes. O primeiro está relacionado ao conceito de alimentos para fins especiais, os quais têm sua composição alterada para se adequar a uma dieta específica que atenda às necessidades metabólicas e/ou fisiológicas, diferenciadas, de parte da população. Os produtos diet devem ser isentos de ingredientes como proteínas, gorduras ou açúcares. O mais comum é o último caso, cujas versões podem ser consumidas por diabéticos. Note, entretanto, que não tem relação nenhuma com valor energético. Muito pelo contrário, alguns produtos diet têm mais calorias do que seus correspondentes “tradicionais”, então não são adequados à perda de peso.

Já a denominação light faz parte do que a Anvisa chama de “informação nutricional complementar, que engloba vários conceitos e condições, geralmente relacionados ao fato de um alimento ter maior ou menor quantidade (ou nada) de algum nutriente específico, ou mesmo do valor energético total. Atualmente, o termo light equivale a “reduzido”, “menos” ou “menor teor de”, e só pode ser utilizado quando o alimento apresenta uma redução de 25% em algum nutriente (exemplos: açúcar em bebidas, gordura em biscoitos e sódio no sal) – ou no valor energético total – em comparação com sua versão original. Esses já são mais indicados para quem quer reduzir algo que esteja em excesso em sua dieta, e podem algumas vezes auxiliar no controle de peso.

Antigamente, a lei também permitia a nomenclatura “light” para baixo conteúdo absoluto de certos nutrientes (além do comparativo), de acordo com tabelas específicas, mas isso foi revisto e a nova lei entrou em vigor esse ano (2014), fazendo com que muitos produtos tivessem que alterar seus rótulos (reparem principalmente nos pães de forma). Os atuais termos permitidos nesses casos são “baixo em”, “pouco”, “baixo teor de”, “low”, “pobre em” ou “leve”. Alguns casos específicos podem utilizar o denominação “muito baixo”. Se o alimento não atender às condições estabelecidas, o rótulo deve conter a seguinte declaração: “Este não é um alimento baixo ou reduzido em …”. Para driblar a nova legislação, algumas empresas já estão empregando novos verbetes não contemplados nesse glossário, como “slim”, “lean” ou “fit”.

Em relação ao termo “zero“, esse também está relacionado ao conteúdo absoluto, mas nesse caso o produto deve ser virtualmente isento de calorias ou de nutrientes como açúcares ou gorduras, apresentando um limite máximo (bem pequeno) permitido desses  conforme tabelas específicas da Anvisa. A alegação pode ser especificada (“zero açúcar”), utilizada na forma numérica (“0% de gordura”), ou substituída por expressões equivalentes como “não contém”, “livre de”, “sem”, “free” ou “isento”. A mesma legislação da Anvisa também define termos para os casos em que o teor de algum nutriente de interesse, como fibras e vitaminas, seja mais alto (dizeres como: “rico em”, “fonte”, “aumentado”, etc) – além de outras alegações gerais, as quais não irei tratar aqui para manter o foco do post.

A grande confusão ocorre pelo fato de que vários alimentos podem ser diet, light e zero ao mesmo tempo, dependendo de sua formulação. Nesses casos, cabe à cada empresa escolher qual a terminologia mais interessante para ser expressa na rotulagem, decisão que geralmente tem muito a ver com o público-alvo e a tendência do mercado. A moda agora prefere o termo “zero” (quando possível), mas o “light” ainda é bem usado e o “diet” já teve sua era de glória, sendo agora mais voltado ao consumidor diabético. Segue um resuminho gráfico:

light, diet ou zero?

light, diet ou zero?

Fonte: G1

 

De maneira geral, para tornar um produto diet, light ou zero, é necessário substituir um ou mais ingredientes na sua formulação, o que trará consequências tecnológicas e sensoriais. O açúcar, por exemplo, costuma ser trocado por edulcorantes (=adoçantes artificiais) para manter o sabor doce. Porém, o açúcar pode desempenhar outras funções em alguns produtos – como dar textura, viscosidade, ou até mesmo servir de substrato para o desenvolvimento de micro-organismos em pães e bebidas -, as quais devem ser supridas de alguma forma. Já a redução de gordura é compensada pela adição de gomas e gelatinas para conferir cremosidade. Além da utilização desses e de outros aditivos, os produtos dietéticos às vezes também requerem alterações nos métodos e parâmetros de fabricação, e isso os pode tornar mais caros. Em alguns casos, é impossível fabricar uma nova versão do produto que seja economicamente viável e sensorialmente aceita – esse é um dos grandes desafios dos Engenheiros de Alimentos.

Em tempo: pode parecer estranho, mas também tem muita gente que confunde os três conceitos explicados com “integral”, o qual designa algo completamente diferente. Conforme eu expliquei num post anterior, integral significa inteiro e não tem nada a ver com redução ou isenção de calorias, açúcares ou gorduras. Aliás, muitas vezes o alimento integral tem um valor energético maior do que as versões “brancas” e “refinadas”. Por fim, temos ainda as pessoas que confundem tudo isso com os conceitos de “natural” e “orgânico”. Vou deixar esses dois temas para posts futuros, mas já adianto que também não estão nem um pouco relacionados a diet, light e zero.

 

Fontes:

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7 Comentários
  1. Muito bom, isso é confuso mesmo! Eu sempre achei que diet era sem açúcar, light era sem gordura e zero também era sem açúcar, sei lá! hahahahaha
    O caso da “água leve” se encaixa no baixo teor de sódio, né?

  2. Pedro Menchik permalink

    Se encaixa sim Nati. É um caso absoluto, não comparativo. A água já vem daquele jeito da fonte, não teve sua formulação alterada para substituir o sódio por outra coisa

  3. Francisco hennemann permalink

    Olá Pedro. Tenho lido seus artigos gostado muito! Vc poderia nos brindar com uma comparação do teor de sal entre as Cocas zero e a normal? Sei q a 1* contém 48mg/ 2copos e outra, 18. Tem muita gente deixando d tomar a zero, por isso. Considerando o uso de 2 latinhas num fim de semana, qual seria a repercussão metabólica disso? (Pai da Nati)

    • Pedro Menchik permalink

      Na verdade isso não é exatamente a quantidade de sal, mas sim do metal sódio (Na). Isso porquê não há sal de cozinha (NaCl) no refrigerante, apenas alguns aditivos como edulcorantes e conservantes (exemplo: benzoato de sódio), os quais fazem com que a quantidade do mineral seja alta. A ingestão diária recomendada para o sódio é de 2000 mg por dia, porém obtemos a maior parte disso nas refeições sólidas salgadas. Duas latas de coca-cola zero têm em torno de 100 mg e irá requerer alguma moderação nas outras fontes. Não tenho muita competência para falar dobre metabolismo, melhor consultar um médico ou nutricionista para isso.

      • Francisco hennemann permalink

        Ok, obrigado!

  4. fabricio permalink

    Tenho muita curiosidade em saber sobre o impacto dos adoçantes na alimentação e as consequências para o organismo, alguns com substâncias que dizem causar câncer, seria mais saudável usar adoçante do que açúcar?

  5. JONATAN SILVA SOUZA permalink

    Show de bola

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