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Post Especial de Fim de Ano: O que, exatamente, é um Chester?

31 de dezembro de 2013

Estamos no fim de ano: época de tirar férias, viajar, reunir família e amigos e beber e comer muito. Messas decoradas cheias de frutas anunciam a ceia farta que está por vir: Tender, Peru, Chester, cheios de acompanhamentos e umas vinte sobremesas. Mas sempre fica aquela dúvida: O que, exatamente, é um Chester?

Imagem

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É um frango.

Simples assim. Eu poderia parar o post aqui, mas vou explicar um pouco mais. O Chester é uma linhagem especial de Gallus gallus, também conhecido como galo doméstico, frango ou galinha. O animal foi selecionado geneticamente pela Perdigão ao longo dos anos a partir de uma raça de galos escoceses, para combater o peru de natal da Sadia, na época em que ainda eram duas empresas separadas e concorrentes. Lembre-se que melhoramento genético não quer dizer que a ave seja transgênica. Estamos falando aqui de coisas como cruzamento de linhagens e seleção artificial, mais ou menos comparável a variedades de bananas e raças de cachorros. Leia mais sobre isso no seguinte post: http://alimentandoadiscussao.com/2013/04/23/polemicas-envolvendo-alimentos-trangenicos/

O nome “Chester” é, na verdade, uma marca registrada da empresa, tanto que as concorrentes tem que usar outros nomes, como “Ave Fiesta”. Esse alimento é maior e possui mais carne que o frango convencional, concentrada principalmente no peito e coxas, além de menos gordura, tornando-se uma boa opção para as festas de fim de ano. Vocês podem checar o rótulo do produto aqui: http://www.perdigao.com.br/produtos/ver/106

Segundo a fabricante, eles não utilizam hormônios nem anabolizantes na criação do animal. Eu acredito que isso seja verdade, já que tratamento hormonal é extremamente caro e elevaria muito o preço do produto. Mesmo porquê, eles provavelmente já conseguem atingir o resultado esperado com a boa genética e uma ração repleta de aminoácidos, quase comparável à dieta de pessoas que treinam regularmente em academias. De qualquer forma, se eles de fato alimentarem a ave com hormônios, eles provavelmente também o fazem com os frangos tradicionais e várias outras carnes produzidas – então rejeitar apenas o Chester por esse motivo não seria muito inteligente.

Mudando levemente de assunto: algumas pessoas me pediram pra fazer um post sobre o que acontece com o peru no resto do ano. Achei que não dava material para um post separado, então vou falar sobre isso aqui mesmo. Apesar de estarem em evidência no fim de ano, perus têm um ciclo de vida muito curto e são criados durante o ano todo. Surpreendentemente, o Brasil é o terceiro maior produtor e segundo maior exportador do mundo de perus. Os principais destinos são a União Europeia e alguns países muçulmanos, onde o peru é utilizado como substituto de porco em alguns frios por causa da proibição religiosa. As aves que não são exportadas seguem para industrialização, onde viram produtos como salsichas, linguiças, presuntos e peito de peru defumado. Ou seja, o peru está sim disponível o ano todo, mas não forma in natura, por conta da falta de tradição cultural de consumo do animal não-processado fora das festas de fim de ano.

Fontes:

– Sobre o Chester: http://ciencia.hsw.uol.com.br/chester.htm e http://pt.wikipedia.org/wiki/Chester_(marca)
– Rótulo do Chester: http://www.perdigao.com.br/produtos/ver/106
– Sobre produção brasileira de perus: http://www.aviculturaindustrial.com.br/noticia/producao-de-peru-ganhara-espaco-na-avicultura-brasileira/20120321174236_R_600

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