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Post Especial de Fim de Ano: O que, exatamente, é um Chester?

31 de dezembro de 2013

Estamos no fim de ano: época de tirar férias, viajar, reunir família e amigos e beber e comer muito. Messas decoradas cheias de frutas anunciam a ceia farta que está por vir: Tender, Peru, Chester, cheio de acompanhamentos e umas vinte sobremesas. Mas sempre fica aquela dúvida: O que, exatamente, é um Chester?


 

É um frango.

Simples assim. Eu poderia parar o post aqui, mas vou explicar um pouco mais. O Chester é uma linhagem especial de Gallus gallus, também conhecido como galo doméstico, frango ou galinha. O animal foi selecionado geneticamente pela Perdigão ao longo dos anos a partir de uma raça de galos escoceses, para combater o peru de natal da Sadia, na época em que ainda eram duas empresas separadas e concorrentes. Lembre-se que melhoramento genético não quer dizer que a ave seja transgênica. Estamos falando aqui de coisas como cruzamento de linhagens e seleção artificial, mais ou menos comparável a variedades de bananas e raças de cachorros. Leia mais sobre isso neste post aqui.

O nome “Chester” é, na verdade, uma marca registrada da empresa, tanto que as concorrentes tem que usar outros nomes, como “Ave Fiesta”. Esse alimento é maior e possui mais carne que o frango convencional, concentrada principalmente no peito e coxas, além de menos gordura, tornando-se uma boa opção para as festas de fim de ano. Vocês podem checar o rótulo do produto aqui.

Segundo a fabricante, eles não utilizam hormônios nem anabolizantes na criação do animal. Lembrando que tratamento hormonal é extremamente caro e proibido em frangos no Brasil (veja mais no post específico sobre hormônios). Mesmo porquê, eles provavelmente já conseguem atingir o resultado esperado com a boa genética e uma ração repleta de aminoácidos, quase comparável à dieta de pessoas que treinam regularmente em academias. De qualquer forma, se eles de fato alimentassem a ave com hormônios, eles provavelmente também o fariam com os frangos tradicionais e várias outras carnes produzidas – então rejeitar apenas o Chester por esse motivo não seria muito inteligente.

Mudando levemente de assunto: algumas pessoas me pediram pra fazer um post sobre o que acontece com o peru no resto do ano. Achei que não dava material para um post separado, então vou falar sobre isso aqui mesmo. Apesar de estarem em evidência no fim de ano, perus têm um ciclo de vida muito curto e são criados o ano todo. Surpreendentemente, o Brasil é o terceiro maior produtor e segundo maior exportador do mundo de perus. Os principais destinos são a União Europeia e alguns países muçulmanos, onde o peru é utilizado como substituto de porco em alguns frios por causa da proibição religiosa. As aves que não são exportadas seguem para industrialização, onde viram produtos como salsichas, linguiças, presuntos e peito de peru defumado. Ou seja, o peru está sim disponível o ano todo, mas não forma in natura, por conta da falta de tradição cultural de consumo do animal não-processado fora das festas de fim de ano.
Fontes:

 

 

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9 Comentários
  1. Cintia Kawasaki permalink

    Uh, legal. =)
    Interessante saber q o Chester é marca da Perdigão e q foi utilizado como concorrência com a Sadia… 😉
    Parabéns pelo post, Mench!

  2. Muito bom, como sempre!! Adoro as materias!! Abracos

  3. OBAAA, finalmente descobri o que é um chester!!!!!!!!! 😀
    Gostei da parte em que falou do peru no resto do ano.
    Os hiperlinks não estão funcionando, será que é algum problema do site?

    • É verdade, tem algum problema com os links. Vou tentar arrumar. Enquanto isso, se quiser acessar, é só copiar os endereços e colar no navegador

    • Pedro Menchik permalink

      Pronto, arrumado!

  4. Bruna permalink

    Pedro como sempre seu post é excelente. PParabéns!

  5. Welinton permalink

    Tudo começou em 1979 quando a Perdigão enviou seus dois maiores técnicos para procurar uma nova linhagem avícola no exterior na esperança de encontrar animais com maior quantidade de carnes nobres e comprou um pacote genético de uma empresa na Escócia, que foi melhorado por aproximadamente 3 anos através de sucessivas seleções e cruzamentos de linhagens diferentes em terras brasileiras, mas precisamente na granja Passo da Felicidade, em Tangará – SC, até chegar no produto final, que tem cerca de 70% da carne concentrada no peito e nas coxas.

  6. Valiosas e sabias colocações meu caro, parabéns. Sucesso e boas festas !!

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